ENERGIAS RENOVÁVEIS IMUNES AO COVID19

De acordo com o relatório anual, IEA Global Energy Review,  do International Energy Agency (IEA), no 1º trimestre de 2020, o uso global de energias renováveis em todos os setores aumentou cerca de 1,5% em relação ao 1º trimestre de 2019. A produção de eletricidade renovável aumentou quase 3%, principalmente devido aos novos projetos eólicos e painéis fotovoltaicos concluídos no último ano.

A percentagem de energias renováveis na produção global de eletricidade subiu para quase 28% no 1º trimestre de 2020, contra 26% no 1º trimestre de 2019. O aumento das energias renováveis deveu-se principalmente ao aumento do preço do carvão e do gás, embora essas duas fontes ainda representem perto de 60% do fornecimento global de eletricidade. As energias renováveis são também resistentes à redução da procura de eletricidade, que se estima que seja de 5% em 2020, devido ao acesso prioritário às redes e aos baixos custos operacionais.

O relatório prevê que a utilização global total de energias renováveis aumente cerca de 1% em 2020. Apesar das perturbações na cadeia de abastecimento que têm interrompido ou retardado a atividade em várias localidades estratégicas (ex: China, que representa mais de 70% da produção global de painéis solares), das medidas de isolamento social, juntamente com os incentivos económicos como resposta à desaceleração económica, a expansão da energia solar, eólica e hídrica deverá ajudar a produção de eletricidade renovável a aumentar quase 5% em 2020.

 

Energia solar

Deverá ser a fonte renovável com o crescimento mais rápido em 2020. Ainda que sejam dados positivos, a IEA revela alguma prudência dado o perfil do consumidor - um quinto de toda a capacidade implantada, a nível global, era composta por privados ou PME’s que instalavam painéis solares nos  seus telhados - e ao cancelamento ou abrandamento  drástico da instalação de painéis como resultado das medidas de contingência que impedem o acesso aos edifícios. 

 

Energia eólica

Espera-se que a energia eólica aumente mais em termos de geração absoluta entre todas as renováveis. Um início de ano ventoso, de janeiro a março, em muitas regiões e fortes adições de capacidade no ano passado deverão dar um impulso à produção eólica em 2020. Em países como a China ou EUA, o enquadramento legal dita que os projetos eólicos devem ser encomendados até final de 2020 para que se possam ter acesso aos subsídios e créditos à produção.

Energia hídrica

A produção de energia hídrica continua a ser a maior incerteza em 2020, uma vez que representa quase 60% de toda a produção renovável a nível global e está dependente dos padrões de precipitação e temperatura.

Biocombustíveis

O consumo de biocombustível deverá ser substancialmente inferior ao de 2019.

Os biocombustíveis líquidos são diretamente afetados pela diminuição da procura de combustível no transporte rodoviário, uma vez que são misturados com gasolina ou gasóleo. As instalações de produção de etanol e biodiesel no Brasil, na União Europeia e nos Estados Unidos reduziram as suas exportações como resultado da diminuição da procura nacional e internacional.

Para além da diminuição da procura, a descida dos preços da gasolina prejudica a competitividade do consumo de etanol, sendo que para minorar as perdas, muitas empresas estão a optar por usar esta matéria-prima para o fabrico de gel desinfetante para as mãos.

Uma recuperação mais rápida ou mais lenta teria efeitos limitados na produção de eletricidade renovável em 2020, prevendo-se um crescimento homólogo na maioria das condições. No entanto, os impactos sobre a indústria das energias renováveis poderão ser muito elevados, uma vez que as regiões mais afetadas pela crise de Covid19 poderão assistir a uma redução acentuada da construção. A produção de eletricidade renovável depende em grande parte da disponibilidade de recursos naturais, uma vez que o clima é o principal determinante para a energia hídrica, eólica e solar, que juntos representam cerca de 90% de toda a produção de eletricidade renovável.

Leia aqui o relatório na íntegra. 

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