O papel dos PPAs no mercado ibérico

No evento ENERGYEAR PORTUGAL 2021, realizado no dia 22 de junho, debateu-se “O FUTURO DO MERCADO RENOVÁVEL PORTUGUÊS EM DEBATE” com os principais players do sector energético.

No âmbito da sua apresentação dos principais desafios dos PPAs no mercado ibérico, Jaime Cano, Originator | Renewable Long-Term Products, refere que “o mercado dos PPAs na zona ibérica apresenta um certo grau de maturidade” e também ‘’coloca os consumidores como a chave para a continuidade dos contratos As-Produced’’.

A partir de 1 de julho, a Axpo será o comercializador com a maior carteira de renováveis independentes em Portugal.

Num mercado relativamente recente, Fernando de Juan Astray, Head of Origination, Structured and Long Term Products da Axpo Iberia, refere que “os principais entraves no mercado atual dos PPAs em Portugal são a dificuldade de acesso à rede e o enquadramento regulatório, como por exemplo, a questão do clawback, que dificulta a tomada de decisão e dificulta o investimento a longo prazo. Por último, o apetite dos consumidores por soluções a longo prazo. Em Espanha, por exemplo, existe uma regulação favorável à contratação de energia renovável a longo prazo com o “Estatuto de Electrointensivos”. Contudo, assistimos, em Portugal, a um despertar do consumidor, que começa a procurar soluções a longo prazo com preços muito competitivos e tentando, ao mesmo tempo, cumprir com os seus objetivos de sustentabilidade.

Em relação aos problemas de interconexão física de eletricidade de Portugal e Espanha. Existe a possibilidade dos Cross Border PPA poderem ajudar na cobertura de riscos e na sua diversificação.

“Sou defensor do Cross Border PPA, é uma boa ferramenta, uma forma de aproveitar a situação que temos no mercado ibérico, temos capacidade de geração solar e eólica, um recurso que nos permite gerar energia a preços muito baixos face à Europa. Existem limitações de interconexão, em que não somos capazes de enviar energia a países no centro da Europa. Contudo, a longo prazo estamos a tomar medidas para interconectar estes países, e não apenas interconexão física por cabos, mas através de outras formas, como o caso do hidrogénio, por exemplo” refere Fernando de Juan Astray.

Estamos num momento histórico para uma arbitragem de preços. “Se olharmos para os números, falando na curva a longo prazo, muito deprimida, temos uma diferença de 15€/MWh com respeito a países como a França, que historicamente sempre esteve abaixo do mercado ibérico. Este sinal do preço tão forte, a longo prazo para consumidores europeus, é uma mensagem muito potente que pode ajudar-nos a encontrar mais consumidores e offtakers dessa energia. É certo que existe um risco residual entre o preço da energia no país de consumo e o preço da energia do país gerador, neste caso o Ibérico, Espanha e Portugal. Observando historicamente estas diferenças, estamos num momento único, de diferença de preço de 15€, em que tudo aponta para que essa diferença se reduza. Existe a oportunidade de gerar mais eletricidade e desenvolver projetos, que à priori os consumidores estão preparados para a absorver”, conclui Fernando de Juan Astray.

Pode assistir aqui a todo o evento.

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